Chamada de Artigos/Appel à Articles
Call for Paper

Revista N.º 3 – 2018

Cinema e Território / Cinemas, identidades

O cinema pode relacionar-se com identidades de muitas formas. A primeira é a identidade autoral, mais relevante no cinema de autor. Um dos últimos redutos da teoria do autor, que remonta à escola romântica do século XIX, foi a arte cinematográfica. Há, no entanto, outra identidade que emerge no cinema – o espetador ou espectator. A obra não se basta por si própria nem o sentido está completamente no espetador. A ideia que a apropriação do filme pelo espetador é o resgate das intenções do autor caiu por terra com o desenvolvimento da análise do discurso e da teoria da receção. O espetador é então outra identidade a que se atribui, em grande parte, a autoria do filme. A autoria dependeria assim de um sujeito coletivo (destinatário), da subjetividade (conhecimento e cultura) do espetador, sem de modo nenhum esquecer as escolhas do realizador e as decisões económicas e atitude ético-política do produtor. Várias identidades profissionais, jurídicas, estéticas, éticas e políticas definem-se e continuamente se reconfiguram na produção cinematográfica. No documentário e no filme etnográfico há outras identidades, outras participações decorrentes das produções cinematográficas se realizarem com pessoas (não com atores), inseridas nos seus contextos sociais e culturais. Emergem assim os atores sociais que, das formas mais diferenciadas, participam na realização dos filmes – não se trata de filmes “sobre as pessoas”, mas “com as pessoas” acerca de questões concretas da vida social e cultural. Emergem também as instituições, as culturas locais e o território. Para além disso, os documentários e os filmes etnográficos são realizados com recursos mínimos – financiamento e equipas mínimas, frequentemente longas estadias nos locais, instituições com as pessoas filmadas, pesquisa etnográfica e adaptação a situações imprevistas. Neste processo de passagem à imagem, o autor joga a sua identidade pessoal e relacional. Pessoal, na medida em que lhe é exigida uma obra original, cujas escolhas estão frequentemente enraizadas na história pessoal e em oportunidades criadas, ou existentes nos quadros institucionais em que se situa – instituições de financiamento, instituições de enquadramento da produção, modas, modelos, axiologias e normas epistemológicas, éticas e estéticas. Relacional, com as pessoas, grupos sociais, instituições filmadas, e que tornará visíveis e audíveis, com uma equipa, por vezes mínima, de produção, com as entidades financiadoras e com o público a quem dirige a produção. A identidade e o cinema podem igualmente referir-se às denominadas cinematografias nacionais. Há também um cinema híbrido, um cinema de duplas, ou múltiplas pertenças étnico-culturais, multissituado, decorrente quer dos processos migratórios, ou de outras formas de hibridação cultural na transversalidade temas tratados, nas opções estéticas, nas situações e personagens representados, ou o cinema transnacional, enquanto prática transcultural e transfronteiriça, decreta de um lado a obsolescência da ideologia das identidades nacionais fixas, e promove um debate sobre os “modos de identificação emocional” e sua mise en scène, nos filmes. Há ainda a abordagem da dignidade humana no cinema (a dignidade não será outra forma de reconhecimento da identidade), dos “princípios de dignidade universal do projeto cosmopolítico dos direitos humanos” e das “cosmopoéticas cinematográficas”, formas de criação, de fabricação, de invenção (poiesis) do mundo (cosmos) como mundo comum, como partilha, como espaço da comunidade política (polis) da humanidade. Nossa proposta neste número da revista Cinema e Território é procurar estas múltiplas abordagens, não apenas a partir de aportes teóricos, mas sobretudo de obras concretas e de projetos e processos de realização cinematográfica.

José da Silva Ribeiro
Alice Fátima Martins

CALENDÁRIO: Submissão dos artigos
– Envio dos textos  – até 01 de maio de 2018
– Notificação de aceitação de propostas – até 30 de junho de 2018
– Publicação – Outubro de 2018

Os artigos deverão ser enviados para os seguintes endereços eletrónico com o assunto – C&T-3-2018 (Vide Normas da revista)
Os organizadores:
Jose S. Ribeiro jsribeiro.49@gmail.com
Alice Fátima Martins profalice2fm@gmail.com

Cinéma & Territoire / Cinémas, Identités

A bien des égards, le cinéma peut se rapporter à différentes formes d’identité. La première est l’identité de l’auteur, la plus pertinente dans le cinéma d’auteur. L’un des derniers bastions de la théorie de l’auteur, qui remonte à l’école romantique du XIXe siècle, est l’art cinématographique. Il y a, cependant, une autre identité qui émerge dans le cinéma – celle du le spectateur. L’œuvre ne se suffit donc pas à elle-même mais son sens n’est pas seulement chez le spectateur. L’idée que l’appropriation du film par le spectateur vient au secours des intentions de l’auteur a tourné cours avec le développement de l’analyse du discours et de la théorie de la réception. Le spectateur est alors une autre identité qui se rattache à la création du film. La création dépendrait donc d’un sujet collectif (destinataire), de la subjectivité (connaissance et culture) du spectateur, sans jamais oublier le choix du cinéaste, les décisions économiques et l’attitude éthique et politique du producteur. Plusieurs identités professionnelles, juridiques, esthétiques, éthiques et politiques se définissent et se reconfigurent continuellement dans la production cinématographique. Dans le documentaire et dans le film ethnographique il y a d’autres identités, d’autres participations issues de productions cinématographiques avec des individus (non-acteurs), insérés dans leurs contextes socio-culturels. Ainsi émergent les acteurs sociaux qui, de la manière la plus différenciée, participent à la réalisation des films – il ne s’agit pas de films « sur des gens” mais “avec des gens”, sur des questions spécifiques de la vie sociale et culturelle. Les institutions, les cultures locales et le territoire apparaissent également. En outre, des documentaires et des films ethnographiques sont réalisés avec des ressources minimales – financement et équipes réduites, longs séjours sur place, institutions et personnes filmées, recherche ethnographique et adaptation à des situations imprévues; c’est une autre façon d’identifier les films. Dans ce processus de passage à l’image, l’auteur exprime son identité personnelle et relationnelle. Personnelle dans la mesure où on exige de lui un travail original, dont les choix sont souvent enracinés dans son histoire ainsi que dans les possibilités créées ou existantes dans les cadres institutionnels dans lesquels il se situe – institutions de financement, institutions encadrant la production, modes, modèles, axiologies et normes épistémologique, éthique et esthétique. Relationnelle aussi, avec les gens, les groupes sociaux, les institutions filmées et qu’il rendra visibles et audibles, avec une équipe, souvent à minima, de la production, avec les entités financières, le public à qui est destinée la production. L’identité et le cinéma peuvent aussi se référer auxdits cinémas nationaux. Il y a aussi un cinéma hybride, un cinéma de double ou multi-appartenance ethnico-culturelle, multisitué, découlant soit de processus migratoires soit d’autres formes d’hybridations culturelles dans les thèmes de la transversalité traités, dans les options esthétiques, les situations et les personnages représentés, ou bien encore un cinéma transnational, en tant que pratique transculturelle et transfrontalière, décrète d’un côté l’obsolescence de l’idéologie des identités nationales fixes, favorisant un débat sur les « modes d’identification émotionnelle » et sa mise en scène dans les films. Il y a encore l’approche de la dignité humaine dans le cinéma (la dignité ne sera pas une autre forme de reconnaissance de l’identité), des « principes de dignité universelle du projet cosmopolitique des droits de l’homme » et « cosmopoétiques cinématiques », les formes de création, de fabrication, de l’invention (poiesis) du monde (cosmos) comme un monde commun, comme partage, comme espace de communauté politique (polis) de l’humanité. Notre proposition dans ce numéro 3 de la revue Cinéma et Territoire est de rechercher ces multiples approches non seulement à partir de contributions théoriques, mais surtout de travaux concrets et de projets et processus de réalisation cinématographique.

José da Silva Ribeiro
Alice Fátima Martins

CALENDRIER : Soumission des articles
– Envoi des textes – jusqu’au 1er Mai 2018
– Notification d’acceptation des propositions – jusqu’au 30 Juin 2018
– Publication – Octobre 2018

Les articles doivent être envoyés aux adresses électroniques suivantes avec la mention – C&T-3-2018 (Voir les Normes de la revue)
Les organisateurs :
Jose S. Ribeiro jsribeiro.49@gmail.com
Alice Fátima Martins profalice2fm@gmail.com


Call for Paper
Cinema & Territory / Movies, Identities

Movies and identities may be intertwined in many ways. The first point to be ascertained is author identity, mostly observed in the so-called authorial cinema. Cinematographic art was one of its last bulwarks, which dates back to the Romantic School at the end of 19th century. Apart from it, there is, however, another identity that also emerges with the spectator. The meaning of a film is just accomplished when the viewer sees it. That is to say, it relies neither exclusively on the film nor on the spectator. The idea of “appropriation by the viewers,” added up to the “intentions of the author,” is such a decisive notion both discourse analysis and theories of reception have brought about, so that the viewer has come to be conceived in terms even further as “another identity of the film,” or in large measure its author. In this regard, authorship depends on a collective subject (recipient), on the subjectivity of the spectator (both their knowledge and culture), and on the ethical-political attitude of the producer. Several professional, legal, aesthetic, ethical and political identities are defined and continually rekindled in filmmaking. Other nets of identities may be found in documentary and ethnographic films resulting from ordinary people’s participation (not actors), placed in their social and cultural contexts. These cinematographic productions are based on people’s lives and made out of their experience as much as the movies themselves are not developed “about people,” but “”with people,” so that they are considered to be social actors who participate in social and cultural life. In this scenario, institutions, local cultures, and territory also emerge, not to mention that documentaries and ethnographic films are produced with minimal resources or low means, including the equipment, the production team’s long stays in places, the ethnographic researches and adaptations to unpredictable situations, which is another form of films’ identification. In this process, the author deals with his/her personal and relational identity. Expectations about the original work are in the personal identity field. Choices in this case are often rooted in personal history and in opportunities either created or existing in institutional frameworks where the author stands—institutions of production, fashions, models, axiologies and epistemological, ethical, and aesthetic norms. Relational dimension prevails through the interlocution with people, social groups, and filmed institutions. And its realization requires a production team—sometimes minimal—the financing entities, and an audience the production is addressed to. The relations between identity and cinema can also refer to the so-called national movies. Beyond that, there is a “hybrid cinema,” a cinema of doubles, or multiple ethnic-cultural references. This cinema results from migratory processes and other forms of cultural hybridization encompassed by the transversality of topics, aesthetic choices, situations and characters represented, or by a transnational cinema as cross-cultural and border practices. The obsolescence of ideology based on national, fixed identities is marked off or a debate on “modes of emotional identification” and its “mise en scène” in the films is promoted. The theme of human dignity in cinema consists both of this list of topics—dignity is also a way to perceive of identity—and of “principles of universal dignity within the cosmopolitan project of human rights” along with a “cinematographic cosmopoetics,” forms of creation, fabrication, invention (poiesis) of the world (cosmos) as a common world, as sharing, as a communal political space (polis) for humanity. Our proposal for this issue of Cinema & Territory is, thus, to seek these multiple approaches not only from theoretical contributions, but especially from concrete works and processes of filmmaking.

Calendar: Articles Submission
– Submission of texts – until May 1, 2018
– Notification of acceptance – until 30 June 2018
– Publication – October 2018

The articles should be sent to the following email addresses with the subject: C&T-3-2018 (see Journal rules)
The organizers:
Jose S. Ribeiro jsribeiro.49@gmail.com
Alice Fátima Martins profalice2fm@gmail.com